A Filosofia Montessoriana deve ser reconhecida por ser um começo, a busca de respostas para a educação e a vida da criança. Partindo de suas experiências e não das nossas, representa a base para a construção da educação do futuro.

Considerando as grandes possibilidades existentes na criança e a sua enorme importância para a humanidade, Montessori passou a examiná-la mais de perto, buscando um modo de contribuir para o seu desenvolvimento.
Tinha uma certeza: devia ser criada uma ciência prática para ajudar esta capacidade potencial.

O fruto de suas observações a faz pioneira ao reconhecer e encontrar a expressão concreta que:

É agindo que a criança adquire conhecimentos, através de uma ordenação de atividades de dificuldades gradativamente crescentes. Assim a  aprendizagem se estabelece com maiores possibilidades de sucesso;

A auto-confirmação imediata dos resultados do trabalho é garantia de uma aprendizagem eficiente. Intervenções indevidas dos adultos comprometem a aprendizagem,  cada aprendiz tem um ritmo próprio que deve ser rigorosamente respeitado;

Certos comportamentos – particularmente o de observação – tornam aprendizagens posteriores  possíveis, ou mais fáceis de serem adquiridas, e certas aprendizagens podem ocorrer muito mais cedo que o habitualmente previsto.

Para garantir a prática de seus pressupostos, Montessori pensa numa escola nova:

  • Oferece aos seus aprendizes um “ambiente preparado” com materiais de desenvolvimento de características bem definidas, permitindo à criança chegar gradualmente e de acordo com seu ritmo, à conquista de novos conhecimentos.
  •  Com educadores e educandos desempenhando simultaneamente o papel de observadores e participantes, num contexto de relações interpessoais baseadas no respeito mútuo e confiança.
  •  Atenção especial à educação social, dando orientações para a inclusão de crianças de diferentes idades numa mesma classe. Uma comunidade que se forma no exercício do equilíbrio entre a liberdade individual e a necessidade do grupo.

Desta forma, Montessori assegura que crianças e jovens, em todos os níveis de desenvolvimento, preparem-se para participar da sociedade na qual, mais tarde,
terão que encontrar seus lugares como adultos responsáveis, generosos, competentes, críticos e independentes.

Esta é a maior tarefa da escola: constituir-se numa verdadeira ajuda à vida.

Fonte: Organização Montessori Brasil

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Existem dois tipos de brincar: o brincar livre e o brincar dirigido. O brincar livre, conceitua-se pelo lúdico informal, geralmente no espaço familiar: de passeios, de comunicação, de informação, de descobertas, de assistir televisão, enfim, brincadeiras que, apesar de serem de iniciativa da criança, sem pretensões educativas, assumem características de aprendizagens consideráveis para ela, que se utilizando de conhecimentos pré-adquiridos, possibilitam a apreensão de novos, para apropriar-se de seu entorno, desenvolvendo sua cultura lúdica.

Agindo de forma lúdica, há possibilidade da criança assimilar a cultura do seu grupo social e interpretar os modos de vida adultos de forma participativa e essa cultura lúdica irá constituir uma bagagem cultural para a criança e se incorporar de modo dinâmico a uma cultura mais ampla. É preciso lembrar que a cultura lúdica que evolui com a criança é em parte, determinada por suas capacidades psicológicas, as quais podem permitir ou impossibilitar algumas ações ou representações, pois o pensamento da criança evolui a partir de suas ações, por isso as brincadeiras são importantes para o desenvolvimento do pensamento infantil e “quanto maior for à imaginação das crianças, maiores serão suas chances de ajustamento ao mundo ao seu redor”.(CUNHA, 2001, p.23).

No que diz respeito ao brincar dirigido, ele é entendido à luz de algumas teorias sobre a aprendizagem, onde a atividade lúdica é direcionada para fins de aprendizagem e a criança vive experiências em níveis diferentes de complexidade e envolve assim através do brincar, suas capacidades cognitivas, ou seja, o brincar dirigido como um procedimento que pode compor o processo pedagógico. Portanto para dar mais sentido às brincadeiras, as escolas propõem atividades que exercitem sua imaginação, criatividade, equilíbrio, agilidade de movimentos e raciocínio. Conseqüentemente, que o brincar livre e o brincar dirigido, desenvolvem-se em uma inter-relação positiva. No brincar livre, a criança utiliza sua cultura lúdica aliada ao que aprendeu no brincar dirigido. Por sua vez, será observado no brincar dirigido as experiências adquiridas pelo brincar livre com outras crianças.

Assim sendo, as crianças precisam de tempo, espaço, companhia e material para brincar. Desta maneira a escola pode e deve reunir experiências para que aprendam e assimilem nesse processo de descobertas que é fundamental para o seu desenvolvimento. Na área da educação, a preocupação com o lúdico se manifesta apenas pela qualidade dos brinquedos disponíveis no acervo, sem se levar em conta os significados que esses objetos carregam. Não se trata de intervir pedagogicamente em toda a brincadeira, mas de compreender a especificidade e importância da intervenção e prevenção que pode existir na brincadeira, atentando para o fato de que hoje já não se pode mais educar apenas com lápis, papel, mesa e cadeiras.

Sala de brinquedo

Em uma escola montessoriana o “brincar” está inserido no dia-a-dia da criança. Ao construir um ambiente rico em materiais, ao favorecer a criança a liberdade de escolher, de manusear, de usar da sua criatividade e imaginação no manuseio desses materiais, na atividades de dramatização, no pular, trepar, correr e explorar a área verde da escola, no mexer com a terra, com a água… e inúmeras outras possibilidades. Agora lembre-se, mesmo o “brincar por brincar” vem precedido de uma aprendizagem.”

Texto de Rita de Cássia Soares – Coordenadora Pedagógica da Escola Natureza

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